quinta-feira, 5 de junho de 2014

Abandonado!























Abandono.

Com um simples Google cheguei nisso: ação de deixar uma coisa, uma pessoa, uma função, um lugar; abandono da família; abandono do posto; abandono do lar. Esquecimento, renúncia; abandono de si mesmo.

Esquecimento, renúncia, abandono de si mesmo!

Lendo essa última frase pensei na atrocidade que cometi com este blog, esquecer o Culinária é esquecer de mim, me anular, deixar de lado o amor próprio.

Quando foi que deixei de me amar? Quando foi que percebi que eu não valia nada, não precisava da minha própria atenção?

Sempre gostei muito de mim mesmo, sou vaidoso, sou ególatra, encontrei no Facebook um lar, conto o que faço, o que comi, com quem andei, minhas tristezas, minhas alegrias, divido minhas músicas no ukulele, tudo o que é meu, tudo que sou eu, eu e mais eu...

Por que abandonei quem tanto amo? Nem percebi a falta que me fiz. E todo dia fiz o mesmo. Acordei, olhei o telefone, abri o Instagran, fui para o Facebook, fui para o banheiro, lavei meu rosto, liguei a televisão para a minha filha, me olhei no espelho, reparei na calvície, disfarcei ela, desfiz o que tinha feito, e, mais uma vez, percebi que não adianta disfarçar.

Fiz café. Cinco fatias de pão na mesa. Manteiga de um lado, requeijão do outro. Presunto, duas fatias de queijo prato, manteiga de um lado, manteiga do outro e põe pra brigar com o George Foreman. Repito a operação nas outras duas fatias para a Lucia, e repito o processo na quinta fatia, para a Alice.

Levo Alice na escola, estou no Instagram nomeando uma foto com a hashtag "aprende blogueira". Vesti Alice lindamente!

Volto pra casa, sento no computador, entro no Facebook e o planetinha tem um número 5 avisando que o look da menina fez sucesso, cheio de "ha ha has" e "kkkkkks" e "nossa, como é fofa".

Começo o meu dia, saio do Facebook, vou para o banheiro, me olho no espelho, me acho gordo, mas ainda dou um bom caldo, volto pro computador, vejo meus e-mails, entro de novo no Facebook, vou ao banheiro, me olho no espelho, sento e vejo o Instagram.

Levanto, lavo as mãos e me olho no espelho, fico bem de barba, vou deixar o cabelo crescer de novo.

Tenho feito tudo igual. Me amado da mesma forma. Fui pra praia no final de fevereiro, estava correndo, fiquei bronzeado. Voltei pro Carnaval, usei um bigode, continuei bonito, minha cachorra ficou doente, minha cachorra morreu, ainda sinto muitas saudades dela, principalmente quando abro a porta e ela não vem mais me receber com aqueles olhinhos curiosos de "onde tu tava?" e "agora é minha vez de sair!".

Março não foi legal, e ela morreu num dia 21. Agora no café, na hora do misto quente, não escorrego mais o presunto debaixo da mesa, não deixo acidentalmente um queijo cair no chão. Alice não tem mais a desculpa de não comer tudo dizendo: “Vou deixar esse pedaço pra Baba”.

Abril não vi passar direito, mas peguei um livro de culinária na mão, era dia 17, e na capa dele havia uma foto minha. Muito orgulho, muita felicidade, muito amor próprio!

Maio foi legal, o mês do trabalho. Num primeiro de maio, dia do trabalho, eu estava na praia, comi churrasco, peixe frito, lula frita, pastel, milho e e eu, que nem gosto tanto de Beatles, prefiro os Stones, brinquei de Lucy in the Sky with Diamonds.

Depois só trabalhei, acordei cedo todo dia, fiz o meu café e deixei as torradas (misto quente) das minhas gurias prontas, enroladas num filme plástico para que elas colocassem no George Foreman quando acordassem.

Junho é agora. No dia 1º comecei uma galinhada na madrugada, nesse mesmo dia primeiro, domingo à noite, servi ela para 13 pessoas, mais a aniversariante, pessoa que amo muito, logo depois de mim.

Na segunda, 2 de junho, almoçamos cinco pedaços de galinha. Depois, à noite, fizemos outra festa, usei as 11 galinhas que sobraram, fiz elas com molho e servi com polenta mole para 9 convidados, mais a aniversariante e a filha dela, que amo mais que a mim mesmo.

Fiquei todo esse tempo sem postar, deixei o blog abandonado, sem amor, acho que usei o meu luto como desculpa, quando ela morreu eu morri um pouquinho.

Mas eu voltei, e eu voltei a me amar.

O Culinária Tosca voltou! E agora teremos uma pequena série de receitas, sem tempo certo para acontecer, mas que serão postadas aqui em homenagem à pessoa-cachorra. Todos os aromas e sabores preferidos da Baba.

Hoje, fique apenas com a receita do meu misto-quente, homenageando as 100 gramas de presunto que eu pegava a mais no mercado só pra eles caírem por acidente debaixo da mesa.


Ingredientes mistosca quente:

• duas fatias de pão de forma
• uma fatia de presunto ou seu fiambre favorito
• duas fatias de queijo
• requeijão
• manteiga
• dois copos americanos clássicos

Modo de preparo:

Manteiga de um lado, requeijão do outro. Presunto, duas fatias de queijo prato, manteiga de um lado, manteiga do outro e põe pra brigar com o George Foreman, reduza a força aplicada do George Foreman com os dois copos americanos clássicos.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Eu tenho medo de pão molhado!















Superação, essa é a palavra.
Melhor semana para falar dela já que acabou de estrear mais uma novela do Maneco.
Tema recorrente na trama.
Eu tenho muitos medos, tenho que supera-los, e é pra isso que a gente tá jogo.
Tinha medo de ser pai, hoje, acho que tô indo bem.
Tinha medo de raios e trovões, hoje tenho só de raios.
Morcegos, ficava em choque, apavorado. Hoje preciso defender minha filha, e principalmente não dar um chilique na frente dela.
No entanto o maior monstro da minha vida é o pão molhado.
Tenho medo, muito medo e nojo.
Quando tu anda pela rua, chove e tu olha um pão que caiu da mão de alguém, ou foi abandonado, solto na água, ele fica lá, amolecendo a cada gole, nojento, inflando, ganhando força e se impondo na tua frente, atraindo teu olhar. O pão molhado é uma naja, te hipnotiza, te atrai e o bote vem como um refluxo, rápido e implácavel.
Odeio pão molhado.
Minha vó tomava café na minha frente, e parecia que fazia de propósito, algo para terminar com toda a minha frescura, que eu ainda prefiro continuar chamando de medo. Frescura é uma palavra muito forte.
As mordidas lentas e enrrugadas num pão de miolo branquinho, com um leve toque amarelado da manteiga e todo o dourado da casquinha crocante, mergulha para a morte numa caneca de café com leite. Sobe marrom e molengo, sem mais aquela alegria da crocância, é embebida, volta empapada. E o café agora é um pequeno mar gordo de manteiga e cheio de nata.
Nata que no segundo mergulho, vai se grudar naquilo que minutos atrás fora um pão delicioso e agora não passa de um Francisco Cuoco, dançando desritmado o "hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa", não há mais dança, não há mais festa, só um pão mohado e nojento.
Difícil superar.
Cresci, mas não superei...
Não tenho medo em sopas, nem no molho de uma carne. Não!
Superei tudo isso, um por um, comecei com torradas, pois amolecem menos, e muitas vezes fechei os olhos para comer. O velho truque do "o que os olhos não vêem, o coração não sente".
Mas no leite e na água, é baixaria. Me tira o sono.
Um dia, voando na minha bicicleta depois de deixar a filha na escola passo rente pela sarjeta e atropelo um pão molhado, esse não se entrega, pelo contrário ri de sua desgraça, pois a sua desgraça será minha ruína.
O pão molhado cortado pelo pneu veloz se lança no meu tênis sem meia e certeiro cai pra dentro se alojando entre os dedos.
Me vejo nesse momento querendo arrancar minha perna, tirar meu pé a todo custo, amputar, tudo para não sentir mais aquela textura horrenda.
Sou homem e decido que é hora de começar a superar esse pânico. Tiro o tênis e elimino o vilão, em naúseas, agora já querendo amputar minha mão.
Lavo a mão, lavo meu pé, abandono meu tênis, mas o fanstasma do pão molhado não me abandona.
Enfim, ainda não superei. Mas esse é o meu ano, mais do que paz no meu coração e um amigo que me dê a mão, está mais do que na hora de encontrar novos medos.
Nesse ano resolvi acordar cedo pra correr, pedalar, aproveitar mais o dia e dar saúde para o meu corpo. Comer frutas, verduras, está sendo um ano bem diferente. E não tenho tido medo. Nem da banana matinal, nem da endivia do jantar, nem do franguinho grelhado...
Mas sigo com o mesmo medo de pão molhado.
Amo rabanada, porém como posso fazer? Dá pra pular a parte de molhar o pão no leite? Dá pra simplesmente fritar o pão no óleo ou na manteiga?
Não! Não dá mesmo. Eu deveria ter comigo rabanada no natal. Porém só fui fazer isso 33 dias depois, num 26 de janeiro...
Sim, superação, todos precisamos ter essa palavra em mente, inclusive o Manoel Carlos que precisa superar o fato de que a Helena mais famosa da teledramaturgia brasileira não é nenhuma das dez que ele criou, mas sim a Roitman do Gilberto Braga.
Por isso supero meus medos e faço de olhos bem fechados uma rabanada!

Ingredientes:
• uma xícara de leite
• uma xícara de leite condensado 
• dois ovos
• dois pães dormidos ou amanhecidos 
• açúcar e canela para polvilhar

Modo de preparo, mais um vídeo da Vergonha Alheia Própria Produções se superando mais uma vez, pois agora temos até uma trilha sonora, e quero ver o senhor you-tube me deixar sem aúdio dessa vez!
Culinária Tosca e Vergonha Alheia Própria Produções, superando limites, inclusive do ridículo.
Bom filme a todos!






segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Churrasco com Grelha

























Já se passaram 48 horas e só agora consegui achar o prato que homenageia São Paulo. Mentira, não encontrei nada, fiquei desde o sábado dia 25 quando acordei até esse momento enquanto voltava da rua com a minha cachorra, pensando e nada.
Enquanto escrevo na minha sanduicheira chia uma torrada simples, ou misto-quente como chamam por aqui, mas lá no Rio Grande do Sul, não se esqueça, peça uma torrada.
Eu realmente não sei que comida representa São Paulo, no meu google coloquei na busca "prato preferido de Adoniram Barbosa", veio um monte de coisa e um monte de botecos.
Então pensei na minha chegada aqui.
Pera aí, a torrada ficou pronta.
Quanto eu cheguei aqui, caminhando pela Sé, minha namorada me mostrou um churrasco grego, o preço e a enorme popularidade que este tem me deixaram perplexo, depois de ver é que o aroma chegou em mim. E com ele todo o fascinio, quando passava por uma máquina no centro, no Largo da Batata ou no Largo 13 onde fui trabalhar, prometia para mim mesmo, como se eu visse uma mulher muito gostosa... "Um dia eu vou te comer".
Mas de que adianta fazer uma receita de churrasco grego? Esse a gente tem que comer na rua, temperado com todo monóxido da metrópole. Fazer isso em casa seria uma heresia. Pensei então na clássica frase paulistana, "um chop's e dois pastel", porém, todo mundo sabe como fazer um pastel, e vale o mesmo, que graça tem de comer senão quentinho da feira, até dá pra pegar na feira e comer em casa, mas a graça toda tá na feira.
Pensei também em pão na chapa, mas esse tinha sido o meu post anterior. Cheguei a ficar brabo comigo mesmo por isso... Podia ter segurado o post na gaveta e soltado no dia do aniversário de São Paulo, essa coisinha tão simples, mas que só conheci nessa maravilhosa cidade que acha que padaria é templo sagrado, e Deus abençoe a farinha, os ovos e os portugas, porque aqui sim tem padaria boa. Nosso amor foi ficando cada vez mais forte alí sentindo o cheiro da manteiga.
Então parei e pensei, quando vim pra cá fui fazer minha primeira assistência em fotografia na Vila Leopoldina, na pequena Rua Quiari. Conheci o fotógrafo, trabalhamos um pouco, daí chegou a hora do almoço. Saí e fui em busca de uma padaria, com muito pouco dinheiro no bolso procurei algo na padaria Leopoldina que estivesse dentro das minhas posses. Ouvi anjos cantando no meu ouvindo fazendo aquele coro, "ÓOOOOOOOOHHH", quando li no cardápio, churrasco no pão com queijo. Imaginei uma costela, três ripinhas só, um pão cacetinho com um queijinho derretido, mas chega o prato inox com um pão francês cortado no meio, dentro um contra-filé com queijo derretido, e antes que eu pudesse reclamar, me dei por conta que eu estava em São Paulo, até porque o pão no Rio Grande do Sul é horrível... Comi e nos amamos, um lanche muito gostoso, barato que virou meu companheiro nesses 12 anos de Ipiranga com São João. Se estou numa padaria e me encontro numa pequena dúvida, churrasco no pão!
Não existe outro sanduiche, agora virou até controle de qualidade, se visito um lugar pela primeira vez, peço um churrasco no pão e uma limonada suíça. No entanto, ainda assim não é o prato que representa São Paulo.
Foram 23 anos morando em Santa-Maria, cheguei aqui num 20 de setembro, dia do gaúcho. Lá em Santa-Maria poucas vezes me atrevi a assar um churrasco, todo mundo aqui olha pra um gaúcho e pensa 3 coisas, toma chimarrão todo dia, é gay e sabe assar um churrasco.
Pois, nem todo gaúcho sabe assar um churrasco.
Quando eu fiz 10 anos meu pai resolveu me ensinar o ofício. Não tive sorte, derrubei a linguiça no fogo, aliás, ele me deu essa culpa, tirava sarro de mim, mas até hoje acho que foi ele que derrubou, ficou com vergonha e passou a bola pra mim. Perdi a confiança, meu irmão se tornou assador.
Com meus amigos, eu fazia o carreteiro no acampamento, mas o churrasco tinha quem cuidasse. Luiz Fernando, Alemão, esses eram os assadores. Todo ano quando eu voltava para as festas de fim de ano, ou alguma visita no meio dele, meu pai oferecia uma ovelha e meu sogro também, quando meu pai me via me ensaiando pra assar já sabia que algo podia dar errado. Mas eu dizia...
– Calma pai, já chamei o Luiz Fernando...
– Mas bah, o Luiz Fernande é um baita assador!
Noutras dizia que quem ia assar era o Alemão...
– Ah não, então tamo tranquilo...Se é o Alemão tá loco de especial!
Eu, bueno, eu ficava de canto, assistindo, depois tomava cerveja e jogava um truco, mas sempre afastado da churrasqueira. Depois que vim pra São Paulo me apaixonei também pela cachaça, daí ficou pior... Porém sempre contei com bons amigos e bons assadores, meu irmão e meu concunhado Giovani, que na casa dele tomava conta de todo jantar, coisa bem boa o churrasco do Rodrigo e do Gi. Até minha sogra é boa assadora. O que não é novidade pra quem cozinha bem.
Essa seria minha sina! Um gaúcho que não faz churrasco!
Porém São Paulo tem seus mistérios, e numa mudança de apartamento ganho um último andar e uma sacada. Toda sexta-feira o cheiro do boteco da esquina vem subindo as escadas, vem se entranhando devagarzito e traz aquele aroma do churrasco.
Chega a hora de comprar uma churrasqueira, a minha churrasqueira. Compro. Na verdade tento dar um golpe num irmão, aquele irmão que a gente escolhe, o amigo Cairale. Acho que consigo, ele que paga a primeira churrasqueira.
Agora vem o difícil, assar o churrasco.
Então aparece um outro grande amigo.
Fábio Dias, esse entende do riscado, ele é do tipo que faz fogo com água, conhece todos atalhos do churrasco. Fábio me ensinou do fogo, ao tempo de girar a carne, até o fim, lavar os espetos, essa parte ainda não tenho total domínio, "mas vamo tentiando" como dizem nossos patrícios.
Por falar em espetos, o curioso é que aqui nem todo prédio tem churrasqueira, mas toda churrasqueira tem uma grelha. Eu gaúcho que sou, sempre tive preconceito com a grelha. Onde já se viu? Churrasco se faz é com espeto.
No primeiro aninho de Alice, chegamos no salão de festas do prédio e só tinha grelha, saí em busca de tijolos, comprei e caminhei um quarteirão com 12 tijolos para travar os espetos...
O Giovani que assou e ficou bem bom, e os tijolos foram bem úteis. Porém um dia me vi sozinho, com poucos espetos e uma grelha, não tinha a sabedoria missioneira de Fábio Dias, então peguei uma fraldinha, que no sul chamamos de vazio, e debrucei toda peça na grelha, imaginei que o capitão Rodrigo Cambará ia aparecer num sonho querendo acertar as contas e fazer a pernita do R na minha cara, nesso momento eu diria...
– Vai primeiro na casa do Jayme Monjardim e faz um estrago nele do tamanho que ele fez com a obra do Érico Veríssimo.
Pois é, achei que a grelha ofenderia todo o Rio Grande, que eu não poderia mais colocar os pés no aeroporto Salgado Filho. Mas que a carne ficou boa, isso ficou. Fábio Dias chegou a dizer que aprendeu isso comigo, o que é uma grande honra, o aluno surpreender o mestre.
Nessas 48 horas que pensei qual seria o prato típico paulistano, penso, penso e chego no churrasco, pior, na grelha usada pelos irmãos da região sudeste. Hoje, nesse um ano e meio de casa nova, estou na quarta churraqueira de lata, uma aqui em casa e duas espalhadas, a outra perdeu o fundo. Tenho também 4 grelhas, 12 espetos simples e 4 espetos duplos, no mais perdi as contas de quantos rebanhos assei.
Mas o melhor nessa São Paulo foi esse dia 25 de janeiro de 2014, aniversário da cidade, minha amiga Simone me faz um singelo apelo, "vem fazer um churrasco aqui em casa, precisamos de um churrasco".
Pois é gauchada, São Paulo fez de mim um assador, um churraqueiro sem preconceitos, sem medo de usar a grelha, botando na brasa muito mais amor que ainda insistem em dizer que não tem por aqui. Feliz aniversário São Paulo, a cidade plural, que não sabe fala os plural, mas onde todo mundo é mano! É nóis!
  
Ingredientes: 
• Grelha 
• Fraldinha 
• Sal grosso

Modo de preparo: 
Faça o fogo na sua churrasqueira, depois coloque sobre a grelha a peça de carne, não coloque o sal. Depois de assar um pouquinho, vire e adicione o sal, deixe a parte sem sal virada para o fogo. Vire novamente e adicione o sal. O resto é churrasco, vá no seu instinto, todo mundo tem, só o gaúcho que acha que tem mais... 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Criolo tá errado!





















No dia 15 de janeiro de 1966, Renato Luiz Toscani casou-se com Roselene Neme Raymundo. Se amaram muito, e ainda se amam. Renato ficou viúvo.
Hoje estariam comemorando 48 anos desse amor.
Também hoje uma senhora caiu na rua, em frente a padaria onde comi meu primeiro pão na chapa, algo desconhecido para um gaúcho. Foi um tombo feio, e ela tinha acabado de sair de uma ótica e o seu óculos estragou.
Levantei a senhora, sentei ela no banco da padaria, entrei como se o lugar fosse meu. Pedi um copo de água mineral, gelo, tirei os lenços umidecidos da minha bolsa, enrolei um gelo no lencinho e coloquei na sua testa.
– A senhora segure assim com o lencinho, para não queimar a pele, vou ali na farmácia comprar um band-aid e já volto.
– Nossa, obrigado moço, mas não precisa se preocupar...
– Não deixo a senhora sair daqui até que esteja se sentindo muito bem! Já volto!
– Por quê você é tão bom?
– Meu pai e minha mãe me ensinaram isso...
Deixei ela por uns isntantes e voltei com água oxigenada, gaze e o band-aid, acompanhei ela até a porta do banheiro e entreguei o que acredito ser o kit de sobrevivência para as estranhas ruas de São Paulo. Logo em seguida ela voltou...
Contou que tinha operado um olho da catarata e que estava com medo de que tivesse batido o olho e estragado todo procedimento.
Sentamos, um de frente pro outro.
– Está muito inchado?
– Menos do que quando a senhora chegou aqui...
– Estou com medo...
– Nada, a senhora foi bem rápida, colocou as mãos na frente. A senhora mora perto?
– Sim, logo aqui em frente...
– Quer ficar com meus óculos? Fico com seu endereço depois eu pego...
– Não, não precisa, tenho outros em casa, um até é maior, mas tinha acabado de sair da ótica...
– Bueno, precisando...
– O que você faz da vida além de ser bom-samaritano?
– Eu sou fotógrafo...
– Humm...E não vai me dizer quanto gastou comigo?
– Não!
– Você foi meu aluno?
– Não. não sou daqui, sou gaúcho...A senhora é professora de que?
– De literatura na USP...
– Uau, gosto muito de literatura...
– Então pelo menos escreva seu nome e endereço para que eu possa te enviar um livro meu...
– Opa, isso eu faço!
– Toma, eu tenho caneta...
– Bom quando a senhora estiver se sentindo melhor me avisa que eu te levo pra casa...
– Até isso?
– Pois, não vou deixa-la sozinha.
– Bom, podemos ir...
– Ô Cláudio, quanto deu a água?
– Pelo menos a água eu posso pagar né?
– Pode...
Saímos da padaria e caminhamos alguns poucos passos e chegamos na casa da professora.
– Obrigado!
– Que é isso...Nem precisa agradecer.
– Vou te mandar meu livro...
– Ah, isso precisa, hahahahahahaha...

Ela foi embora, e eu voltei.

Ontem, ajudei outra pessoa na rua.
A rodinha do carrinho de compras dela tinha quebrado, tentei resolver com uma das borrachinhas que envolvem minhas geleias, mas não deu certo.
Daí me ofereci para caminhar alguns quarteirões com as compras.
Só me deixou levar o carrinho, mas deixei ela em casa.
Pois é, estou sentindo que em 2014 estou deixando de ser "para-raio de loucos" e me tornando "para-raio de pessoas que precisam de ajuda" e estou muito feliz com essa promoção, com essa subida na carreira. Foi difícil ser "para-raio de loucos por 34 anos"...
Meu pai e minha mãe não me deixaram muito dinheiro, no entanto me deram muito amor e educação, e esse é o maior presente que posso dar no aniversário de casamento deles, mostar que aprendi e passar adiante seus ensinamentos. Acho que Alice vai fazer melhor do que eu.
O mais legal é que meu pai sempre foi o pão e minha mãe a manteiga, nasceram um pro outro.
Que em 2014 por mais simples que seja a sua receita que não falte nela nem amor e muito menos sabor. Pouco importa quantos pães e quantas manteigas você vai experimentar na vida, ou se nunca vai deixar de experimentar outras ou outros. Já eu continuo fiel a uma marca e por mais que às vezes não esteja do meu agrado e um pouco rançosa, tem dias e na maioria deles o sabor é inigualável, irresistível, insuperável. Afinal de contas, ela ainda é minha marca predileta!
Então feliz 2014, pois com amor, outros felizes virão!

Ingredientes:
• pão
• manteiga
• chapa ou frigideira

Modo de preparo?
Se liga no Stevie Wonder!





quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ela não anda ela desfila!
















Fomos até a semana de moda de São Paulo e constatamos que é verdade! As geleias Culinária Tosca estão a venda para o deleite dos fashionistas.
Ricardo Toscani o criador da marca buscou inspirações na feira paulista, o gaúcho, que nem a ativista do Greenpeace, desde que chegou na terra da garoa, conta que uma vez por semana se alimenta de pasteis e caldo-de-cana, diz não se importar com os quilinhos a mais que esta vida desregrada lhe proporciona. Foi sentado comendo um especial de carne e um calabresa, que ao olhar aos arredores da feira ficou encantado com as pimentas, morangos e abacaxis encontrados nessa que é a verdadeira praia dos paulistanos.

A marca aposta muito na brasilidade e toda a cor que a feira pode proporcionar para deixar o inverno mais quente, e claro, muito mais colorido.

Perguntado sobre a quantidade de açúcar em seus produtos, Tosca, como é chamado nos backstages, veio com a frase mais clichê, porem nada blasé...
"O que não mata engorda, e para o que engorda, moletom."

Questionado sobre as receitas não serem suas, Tosca defende a globalização, e acha que a informação está aí pra todo mundo, basta dar um google. Mas garante que é tudo receita de familia, receitas de sua sogra, tipicamente gaúchas, que nem a ativista do Greenpeace.

Várias personalidades do mundo da moda, segundo nossas conversas imaginárias, estão encantadas com essa que é a grande estreia da temporada.

Confiram nossas falsas aspas.

"Essa geleia não passa no pão, ela desfila."
(Paulo Borges)

"Daria toda minha beleza por essas receitas e a mão esquerda de Tosca, e se ele quiser pode Ficar com a Fernanda Lima."
(Rodrigo Hilbert)

"Tenho o direito de engordar."
(Gisele Bündchen)

"Moderna, leve, exótica, dá pra usar com tudo, queijos, pães, jeans."
(Lilian Pacce)


"                                       "
(Alexandre Herchcovitch)

As geleias Culinária Tosca, estão na FFW Shop, na São Paulo Fashion Week, que nesta temporada está na tenda do parque Villa Lobos e custam apenas R$ 20,00, nos sabores morango, pimenta com abacaxi e pimenta. Destaque também para ambrosia que custa R$ 25,00.


























Fotos: Ricardo Toscani/Zanone Fraissat; Alice/Lucia Farias

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Estou ficando fresco

















Tô ficando fresco.
O que acontece ao certo eu não sei.
Alguma coisa dentro de mim.
Eu abri a geladeira e vi alho poró.
Fui no mercado. Isso é cotidiano.
Por mais estranho que pareça, comprei tofu, isso sim é estranho.
No entanto, defumado.

No caminho gelado do mercado passei pelos iogurtes e massas frescas,
me encantei pelas folhadas.
Já em casa pico a cebola, alho de matar vampiro e também do poró.
Choro, não só pela cebola, também arde o poró, ô dó.

Ligo o fogo, jogo açúcar no fundo de uma panela de ferro.
A ferro e fogo, jogo a cebola no óleo açucarado.
Doura, está bela, jogo a manteiga, vira fera.
Refogo agora o normal e o poró.

O tofu é picado, em cubinhos.
Já misturado, o recheio está pronto.
Tem pouco sal,  jogo na mão, da mão pra panela
chega ao final, agora está pronto, sensacional.

Esfria, já é noite.
Abro a massa na forma, o forno tá quente.
São 180º, uma guinada na vida, não tem carne afinal...

Unta e põe o recheio.
Rala um queijo, joga no meio.
A rima é óbvia.
Põe a massa de cima, pincela ela com ovo,
como ela queria.

Agora é forno quente.
O tempo é o cheiro.
Ou 22 minutos pra quem tá faminto.
Chato falar de ovo e não rimar com pinto.


Viram!
Estou fresco, dando receita de massa comprada na forma de poesia.
Mas o que sinto é o que está dentro de mim!
É o recheio!
E esse meus amigos vejam só que final feliz.
Eu mesmo que fiz.

A poesia ruim é a forma mais primitiva de vergonha alheia.

Ingredientes.

• 1 pacote de massa folhada para pastel de forno, vem duas, uma é a base, a outra o topo.
• 2 alhos porós
• 1 cebola
• 3 dentes de alho
• 1/2 tofu defumado












sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vini, vindi e falhei (13 dias sem pão, 13 dias sem cerveja)


















A melhor maneira de livrar-se de uma tentação é ceder-se a ela...
Pois é me escorando na frase de Oscar Wilde que tento minimizar o meu fracasso.
Sim eu não consegui ficar 13 dias sem pão, mas antes sucumbi a cerveja. Caí primeiro para ela, loira, gelada e muito gostosa.
Foram sete dias de batalha, muito ceral, iogurte, saladinha, entoando o mantra bolacha não é pão.  
Tive medo, me senti sozinho, desamparado, recorri aos exercícios físicos, parei de sentir meu corpo.
Sim as pedaladas foram e são prazerozas, as abdominais não, ao contrários as abdominais são abomináveis.
No entanto aprendi que posso encher meu prato de salada e ludibriar meu estômago, claro que fica difícil enganar as papilas gustativas, mas seguimos tentando.
Porém, certo dia na casa de uma amiga, resolvemos tocar o tal do rock and roll, e este sem cerveja não é nada, não tem sentido. Então bebi, toquei e foi lindo. Percebi, realmente o álcool ressalta o meu talento.
O pão demorou mais, fui mais forte, resisti um pouco mais, mas no dia 25 de setembro fui vencido por três, digo, seis mini hot-dogs...
Cachorrada, mas fazer o que? O importante é lutar, vencer é bom, mas nem sempre conseguimos.
Hoje, estou em Santa Maria, ontem cheguei e comi um Xis, pra quem não sabe Xis é um pão que tem uma dispensa inteira dentro dele, tira-se o miolo do pão pra não engordar muito...Para acompanhar, claro, algumas cervejas.
O café da manhã de hoje teve umas coxinhas, uns risólis, pastelzinho de carne e muito chimarrão.
Bueno, foram 7 dias, sem cerveja e 10 dias sem pão, agora estou normal, bem humorado e bem comigo mesmo, estou tipo gostosa que se acha gorda.
Percebi algo importante, eu não quero ficar com barriga tanquinho, não combina comigo, quero ficar com uma barriga chapada, o único jeito é seguir a dieta do Iggy Pop e do Keith Richards, com muita farinha e destilados. 
Portanto acho que vou começar uma nova dieta.
Mas antes, fique o com vídeo da Vergonha Alheia Própria Produções, farinha de Fábio Júnior.

Ingredientes:
1 Fábio Júnior, mais conhecido como pão velho, segundo Lucia Farias.

Bom filme a todos.